Lavieen: o que é, para que serve e quais cuidados são importantes?
O Lavieen é um laser fracionado de túlio com comprimento de onda de 1.927 nm, utilizado em protocolos dermatológicos e estéticos para melhorar alterações como textura irregular, pigmentação e sinais de fotoenvelhecimento.
O equipamento distribui energia em pequenas áreas da pele, formando microzonas de aquecimento controlado. Esse estímulo ativa processos de reparação e renovação do tecido.
Os resultados dependem de fatores como diagnóstico, fototipo, exposição solar, parâmetros utilizados, número de sessões e cuidados após o procedimento.
Também é importante diferenciar os estudos realizados especificamente com o Lavieen daqueles feitos com outros lasers de 1.927 nm, já que equipamentos e protocolos podem variar.
O que é um laser fracionado não ablativo?
O termo fracionado significa que o laser atua em vários pequenos pontos da pele, deixando áreas de tecido preservadas entre eles.
Já a classificação não ablativo indica que o objetivo não é remover toda a camada superficial da pele. O laser produz aquecimento controlado em microzonas, estimulando uma resposta de reparação sem provocar uma ablação completa da superfície.
O laser de túlio de 1.927 nm apresenta alta absorção pela água presente na pele e pode atingir camadas superficiais e intermediárias do tecido. Esse mecanismo está relacionado à renovação cutânea e ao tratamento de algumas alterações de pigmentação e textura.(Friedman et al., 2022).
Mesmo sendo classificado como não ablativo, o procedimento pode causar reações temporárias, como vermelhidão, calor, ressecamento, descamação e sensibilidade. A intensidade varia conforme o protocolo utilizado.

Para que o Lavieen pode ser indicado?
O registro da FDA K223727 descreve o Lavieen como um laser de túlio de 1.927 nm indicado para procedimentos dermatológicos que envolvem coagulação de tecido mole, queratose actínica e determinadas lesões pigmentadas benignas, como lentigos, lentigos solares e efélides.
Na prática clínica e na literatura científica, lasers de 1.927 nm também são estudados para fotoenvelhecimento, textura da pele, manchas e algumas cicatrizes.
Fotoenvelhecimento e textura da pele
Um estudo prospectivo publicado em 2023 avaliou 31 pessoas chinesas com fotoenvelhecimento. Vinte e sete participantes concluíram três sessões, realizadas em intervalos de aproximadamente um mês.
Os pesquisadores observaram melhora em características como:
textura da pele;
elasticidade;
pigmentação;
rugas;
sinais gerais de fotoenvelhecimento.
Cerca de 70% dos participantes relataram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o resultado.
O estudo, porém, não contou com grupo de controle e avaliou uma amostra pequena. Por isso, seus resultados não devem ser considerados garantia de resposta para todos os pacientes.
Lentigos, sardas e outras manchas benignas
O Lavieen possui indicação regulatória para determinadas lesões pigmentadas benignas, como lentigos solares e efélides.
Antes de tratar qualquer mancha, é importante confirmar o diagnóstico. Alterações pigmentadas diferentes podem exigir condutas distintas, e nem toda mancha deve ser tratada com laser.
Melasma
O melasma exige uma avaliação mais cuidadosa.
Estudos com lasers de túlio de 1.927 nm relatam melhora inicial em alguns pacientes, mas também descrevem recorrência e redução do efeito ao longo do tempo.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 17 estudos e 448 participantes. Os autores observaram melhora de textura, pigmentação e algumas cicatrizes, mas encontraram grande variação nos parâmetros utilizados e risco de viés moderado ou alto em boa parte dos trabalhos.
Também foram relatados casos de recorrência do melasma e alterações de pigmentação.
Por isso, o laser pode fazer parte de determinados protocolos, desde que o fototipo, o histórico de manchas, a exposição solar e os tratamentos anteriores sejam considerados.
Acne e cicatrizes
Existem pesquisas envolvendo lasers de 1.927 nm para algumas cicatrizes e alterações relacionadas à acne.
Ainda assim, estudos realizados com outros aparelhos não comprovam automaticamente os mesmos resultados com o Lavieen. A tecnologia utilizada, a profundidade, a energia e os parâmetros podem interferir na resposta.
Lavieen trata melasma?
O Lavieen pode ser considerado em alguns protocolos para melasma, mas os resultados variam.
O melasma é uma condição crônica e pode apresentar períodos de melhora e recorrência. Além disso, calor e inflamação podem favorecer alterações de pigmentação em pessoas predispostas.
Por esse motivo, fatores como fototipo, histórico de hiperpigmentação, exposição solar, medicamentos em uso e procedimentos anteriores precisam ser avaliados antes da indicação.
A fotoproteção também é uma parte importante do acompanhamento. Dependendo do caso, pode ser necessário combinar proteção contra radiação ultravioleta e luz visível com outros tratamentos definidos pelo dermatologista.
Promessas de eliminação definitiva do melasma ou de resultado garantido após uma única sessão não são compatíveis com as evidências disponíveis.
Como é feita a sessão?
Antes do procedimento, o profissional deve avaliar a pele, o fototipo, a queixa principal e o histórico do paciente.
Também precisam ser considerados:
presença de manchas ou lesões;
tratamentos anteriores;
exposição solar recente;
uso de medicamentos;
histórico de herpes;
alterações de cicatrização;
procedimentos estéticos prévios.
Depois da avaliação, são definidos parâmetros como energia, densidade e número de passadas, de acordo com a região tratada e o objetivo.
Durante a sessão, é possível sentir calor, ardor ou desconforto. A intensidade varia conforme o protocolo e a sensibilidade individual.
Como fica a pele depois do Lavieen?
A recuperação depende da intensidade do tratamento.
No estudo específico do Lavieen publicado em 2023, edema e sensação de calor apareceram logo após a aplicação e desapareceram em até 24 horas. A vermelhidão foi observada após as sessões e resolveu em até uma semana. Duas pessoas apresentaram ressecamento e descamação.
Esses dados representam apenas o protocolo e a população estudados, portanto não definem a recuperação de todas as pessoas.
A American Society for Dermatologic Surgery informa que procedimentos fracionados não ablativos podem provocar efeitos temporários como:
vermelhidão;
inchaço;
alteração temporária da cor da pele;
sensibilidade;
ressecamento;
infecção, em casos menos frequentes;
cicatrização inadequada, raramente.
Quais cuidados são necessários depois?
Após o procedimento, a pele costuma precisar de cuidados simples e consistentes.
Entre as orientações mais comuns estão:
higienizar a pele de forma suave;
manter boa hidratação;
utilizar protetor solar adequado;
evitar exposição solar intensa;
evitar bronzeamento;
não esfregar ou manipular áreas sensibilizadas;
suspender temporariamente produtos irritantes, quando orientado.
Ácidos, retinoides, esfoliantes e outros ativos podem precisar de pausa durante a recuperação.
Compressas frias também podem ser recomendadas em alguns casos para aliviar sensação de calor ou desconforto.
A introdução de qualquer produto deve seguir a orientação do profissional responsável.
Quem precisa de mais cuidado antes do procedimento?
Algumas situações podem exigir adiamento ou avaliação mais detalhada.
Entre elas estão:
infecção ativa na região;
feridas abertas;
queimadura solar;
exposição solar intensa recente;
histórico de herpes;
tendência à formação de queloides;
alterações importantes de pigmentação;
dificuldade de cicatrização;
doenças de pele ativas;
imunossupressão;
uso recente de determinados medicamentos.
No estudo do Lavieen de 2023, também foram excluídos participantes que haviam realizado laser, peeling, preenchimento ou toxina botulínica nos meses anteriores, além de pessoas que haviam utilizado isotretinoína oral recentemente, gestantes e lactantes.
Esses critérios pertencem ao protocolo da pesquisa e não devem ser interpretados como uma lista universal de contraindicações. A decisão depende da avaliação clínica e das instruções de uso do equipamento.
Quantas sessões de Lavieen são necessárias?
Não existe um número de sessões adequado para todas as pessoas.
A quantidade pode variar conforme:
objetivo do tratamento;
tipo de alteração;
fototipo;
parâmetros utilizados;
resposta da pele;
intervalo entre as sessões;
tolerância ao período de recuperação.
Tratamentos fracionados não ablativos frequentemente são realizados em mais de uma sessão, e a evolução pode ocorrer gradualmente ao longo das semanas e meses seguintes.
Por isso, promessas de quantidade fixa de sessões ou percentual exato de melhora devem ser avaliadas com cautela.
O resultado aparece na hora?
Algumas alterações na aparência da pele podem ser percebidas nos primeiros dias, mas o resultado tende a evoluir gradualmente.
Parte do efeito está relacionada à recuperação do tecido e à renovação cutânea após o estímulo térmico.
A resposta pode ser acompanhada com fotografias padronizadas, feitas em condições semelhantes de iluminação, distância e posição, facilitando uma comparação mais objetiva.

Quanto tempo dura o resultado?
Não existe um período universal.
A duração pode ser influenciada pelo tipo de alteração tratada, envelhecimento natural da pele, exposição solar, fotoproteção, rotina de cuidados e manutenção do tratamento.
Condições como melasma também podem apresentar recorrência mesmo após uma resposta inicial favorável.
Lavieen vale a pena?
O Lavieen pode ser uma opção para pessoas que buscam melhorar determinadas alterações de textura, pigmentação e sinais de fotoenvelhecimento, desde que exista uma indicação adequada.
A escolha do tratamento deve considerar o diagnóstico, as características da pele e os resultados que podem ser esperados de forma realista.
Quer saber se o Lavieen é indicado para sua pele?
Agende uma avaliação para analisar suas características, entender a origem da sua queixa e definir quais tratamentos podem ser mais adequados para o seu caso.


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